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2017_PRECISA SEGUROS
28 Dez
Amamos através do cérebro
O amor tem expressão social na imagem de um coração, quando na realidade quem ama é o cérebro.

Podemos dizer que o amor é vício e paixão é química viciante. 

Na multidiversidade de seres humanos, porque selecionamos este e não aquele para amar?

Existem dois grupos de respostas: seletividade emocional e/ou estímulos límbicos. Tanto amor como paixão ocorrem no cérebro. Amamos por seletividade emocional quando o outro possui determinadas condições que atendema valores pessoais aprendidos do ambiente, a exemplo: status social, religião, interesses profissionais e assim por diante. Amamos por estímulos quando o outro ativa o sistema límbico através da atração física, ou seja, o belo nos atrai.  Independente do ativador utilizado, a química responsável por isso é a dopamina, substancia essa que ativa a área cerebral do prazer e nos coloca em dois estados paralelos: prazer e euforia.

A fase da conquista é estimulante, fase essa chamada de paixão, usamos estratégias comportamentais para nos tornarmos mais atraentes, seja através do comportamento, da beleza ou do status social e ao nos aproximarmos do objeto desejado, inicia-se a ‘caça’. O cérebro recebe o estímulo ambiental, ou seja, a pessoa, e a amigdala límbica é ativada juntamente com a zona de prazer.

Por sermos ativados por sistema de recompensas, ao detectarmos a aproximação da pessoa que nos causa prazer e euforia, nosso cérebro produz noradrenalina e posterior adrenalina, então entramos em estado de alerta:  luta e defesa. Nossa pupila dilata-se, o coração acelera, tremores, suores, falta-nos palavras e quando intenso demais, falta-nos até o ar.  Diante da pessoa selecionada, cada qual responde segundo seu perfil estratégico de enfrentamento, ou seja, fuga, paralisação, ataque ou esquiva, mas seja lá qual for a performance preferida, o fato é que todos nós respondemos produzindo um repertório de comportamentos emocionais independente da estratégia. Queremos conquistar aquele território desejado.

Depois das primeiras investidas e conquistas, iniciamos a construção do relacionamento, quando passamos por uma fase de desejo incessante de proximidade da pessoa selecionada porque queremos ativar a sensação prazerosaantes obtida e assim sucessivamente ocorrendo, chegamos ao próximo questionamento.

Mas como a paixão transforma-se em amor?

Podemos começar a falar em vício, pois como nosso cérebro é ativado por sistema derecompensas, o amor é uma construção gradual de comportamentos viciantes.A ativação exacerbada das investidas iniciais que nos causaram sensações prazerosas nos viciame, a partir desse vício, passamos a modelar o repertório de comportamentos viciantes, ou seja, repetição de situações que ensinam ao nosso cérebro rotinas comportamentais prazerosas. Todos esses novos comportamentos obtidos assentam-se na memória física e na memória emocional. O cérebro aprendeu a conquistar aquele território.

Esse amor (vício) é construído a partir de um processo de proximidade gradual que ocorre no ambiente da interações amorosas, a exemplo: carinho, companhia para passear, esperar sua chegada e entre outras que vãotornando-se rotineiro e ensinando o cérebro a previsibilidade das situações, garantindo-nos o estado de controle do ambiente, sendo esse último, outro ativador da zona de prazer. O território foi conquistado.

Mas o que ocorre quando amamos quem não nos ama e amamos quem nos maltrata?

 Ocorre que não possuímos os atributos necessários que sejam ativadores de dopamina, ou seja, não conseguimos ativar recompensas satisfatórias no outro, e continuamos a amar quem não nos ama porque ao contrário do que se é dito, o amor não é cego, mas cego é o sistema límbico que age somente por impulsos, por isso, mesmo quando maltratado, nossa memória emocional continua fazendo tentativas para obter as sensações prazerosas antes obtidas. O território não é conquistado, mas o desejo de conquistá-lo mantém-se.

E o que ocorre quando continuo amando e desejando a pessoa que oscila entre bons tratos e maus tratos? 

Desencadeia-se um ciclo mais viciante ainda, pois entre a oferta de recompensas e sua retirada, o cérebro torna-se hiperestimulado na busca por recompensas reforçadoras e aprende que a recompensa existe e pode ser obtida, então ele aguarda ansiosamente o retorno da recompensa que é mantida através da memória emocional. O processo de produção de dopamina e o vício emocional é o mesmo. Quando ocorre estímulo prazeroso, ou seja, a pessoa está de acordo com o que desejamos, ocorre a ativação da área do prazer que é viciante e quando não nos é ofertado esse carinho desejado, nossa memória ativa o desejo de recompensas.

Mas o que fazer quando a situação não está bem? A única saída é o doloroso processo de abandono do vício e que para isso ocorra mais rapidamente, é necessário a aplicação de um programa sistematizado cujo o processo ocorre por ressignificações e exercícios graduais de modelação comportamental.



Por Maria Lúcia Bergami Antunes Soares Foto: Fernando Vasconcellos


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